Motivações dos adeptos

Orgulho e amor ao clube da cidade

Em tempos idos, dizia-se que Portugal era o país dos três “f’s”: fado, Fátima e futebol. Hoje, queremos acreditar que esse tempo já foi ultrapassado, mas a verdade é que estes três fenómenos continuam a paralisar Portugal e a animar os portugueses.


Na época de 2010/11, a Federação Portuguesa de Futebol registou quase dois milhões e meio de espectadores. Na tabela dos dez clubes com mais espectadores, o sexto lugar é ocupado pelo Gil Vicente, o único clube neste ranking que não pertencia à primeira liga. Agora, terminada a época desportiva, a equipa barcelense alcançou a tão desejada subida de escalão. Adeptos e direcção acreditam que o apoio do público foi fundamental.

Paulo Alves, treinador da equipa gilista, dedicou a vitória no último jogo da época, o título de campeões da segunda liga e a subida ao primeiro escalão à massa associativa do clube. “Estes adeptos passaram por muito sofrimento, por momentos muito difíceis ao longo destes cinco anos e mereceram amplamente este prémio, esta festa!”, referiu. Também António Fiúza, presidente da equipa do galo, assumiu que os adeptos foram fulcrais para as conquistas: “Esta massa humana merecia isto. Se tivéssemos um estádio com capacidade para 30 mil pessoas, voltaria a estar cheio. Esta é uma prenda para a cidade, para os adeptos.”

A união dos barcelenses foi, de facto, demonstrada nas últimas semanas. A festa foi-se fazendo à medida que as vitórias se iam somando. As correrias aos bilhetes foram muitas e as viagens também. Na deslocação ao Estoril, para um jogo decisivo, os adeptos gilistas encheram todos os autocarros da cidade. Dois mil adeptos rumaram ao sul para apoiar a equipa do galo. Bruno Magalhães foi um dos que não perdeu a oportunidade. “A emoção do jogo no estádio é completamente diferente. Na rádio é muito mais sofrido, mas muito menos emocionante. E estas viagens valem também pelo convívio e pela união barcelense”, refere.
A subida de divisão estava cada vez mais perto e, como tal, o orgulho do clube da cidade exibia-se de todas as formas possíveis.



Agora, ultrapassada a fase decisiva, as janelas das ruas da cidade continuam pintadas de vermelho e azul. E dizem os mais ousados que por lá ficarão para festejar novas conquistas.

Quem vai ao estádio garante que a emoção do jogo ao vivo é extraordinária e que o mais importante é mostrar à equipa um apoio incondicional. Nuno Pereira é dirigente da claque oficial do Óquei Clube de Barcelos, a Kaos Barcelense (KB). O clube, apesar dos grandes feitos do passado, atravessa neste momento um momento delicado e tenta, a custo, reerguer-se. A Kaos, apesar de tudo, nunca abandonou o pavilhão e a equipa.



Grande parte dos clubes portugueses tem uma ou várias claques a apoiá-los. O Conselho Nacional Contra a Violência (CNVD), da Secretaria de Estado do Desporto, passou a regulamentar, em 2004, o funcionamento das claques. Segundo a lei 16/2004, todos os clubes que apoiem grupos organizados de adeptos não inscritos no CNVD incorrem na pena de "impossibilidade de promover qualquer espectáculo desportivo". Muitas claques optaram, então, pela legalização. Contudo, outras, como os Diabos Vermelhos e os No Name Boys, do Sport Lisboa e Benfica, rejeitaram essa hipótese, aumentando a especulação acerca da sua importância e dividindo opiniões.



Apesar das divergências, as motivações dos adeptos, pertencentes a claques ou não, é só uma: dar força e demonstrar apoio incondicional ao clube do coração. E para o demonstrar, todos os meios são válidos. Veja o slide, com fotos dos adeptos de hoje e de há 20 anos.